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Jorge Cayon Gadia - Diretor artístico da Rádio Difusora AM e FM

Goiano, da pequena cidade de Inhumas, começou no Rádio como sonoplasta na década de 60, foi discotecário, programador e diretor artístico com passagens pelas Rádios Tupi, Difusora, Bandeirantes, Capital e Antena 1. 

Com a saída do jornalista Hélio Ribeiro no começo de 1970, Jorge Cayon Gadia é nomeado diretor artístico da Rádio Difusora. 

Sua Participação no movimento Hits Brasil começa quando o produtor Antônio Paladino lhe faz uma visita e sugeriu gravar algumas músicas em inglês para testar o mercado.  

As gravadoras são lentas demais para lançar as músicas, e quando Cayon toca na rádio uma música que faz sucesso, o publico fica doido por não conseguir compra-la nas lojas.
Uma das primeiras produções foi Sunday, incluindo na trilha da novela Super Plá. 

Temos uma enorme mudança de comportamento dos jovens na faixa dos 18 ou 19 anos, A Rádio Difusora alcança um índice de audiência fantástico e lança muitos conjuntos que rádio nenhuma tocava, tentando fazer uma revolução cultural, determinando a moda da juventude através das musicas, danças, botons e bonés. 

A Rádio Difusora adota um posicionamento polêmico, tocando todo o catálogo da Motown e dando apoio aos Black Panther (Pantera Negra). Cayon tem representantes da JET MUSIC (Musica a jato) nos Estados Unidos e em Londres, que mandam os discos imediatamente após seu lançamento. Com o tempo, as gravadoras montam seus departamentos internacionais para fazer lançamentos em menos de três meses, e assim quando Cayon lança uma música, elas já estão preparadas para lançar o disco em seguida. 

O que a Rádio Difusora toca é sucesso garantido, por ser líder entre as classes A, B e C, ocupando o terceiro lugar no ranking geral. Cayon encomendou uma pesquisa que mostrava que o ouvinte de rádio não ouve mais de uma hora e meia por dia. Então para fazer a cabeça das pessoas ele repete a música a cada duas horas, tocando-a de quatro a doze vezes por dia. 

A Rádio Difusora põe no ar uma média de 60% de musica nacional e 40% de musica americana com os Hits Brasil cantados como música americana. Sua rival, a também excelente Rádio Excelsior ocupava o oitavo lugar na preferencia do público em geral. 

A Rádio Difusora tem um incrível jingle de chamada, feito em cima da musica The Rise And Of Flinge Blunt interpretada pelos Shadons. Para Cayon é a gloria passear pela Rua Augusta aos sábados à noite sem precisar ligar o rádio de seu carro pois vai ouvindo a Difusora nos rádio da maioria dos carros pelos quais vai passando.  

Cayon troca a Rádio Difusora pela Bandeirantes no final de 1977, para dirigir uma rede de cem emissoras em AM e FM, e ajuda a criar a Show Ban e a gravadora DiscoBan. Mais tarde se transfere para a Rádio Capital, substituindo Hélio Ribeiro mais uma vez, e implantando uma nova programação. De volta para a Rádio Bandeirantes, ajuda a estourar Michael Jackson em São Paulo. Em sua próxima escala, Cayon monta a programação da Rádio Antena 1 com sucessos lançados na Rádio Difusora, e que permanecem na programação da Rádio Antena 1 e de muitas outras rádio que tocam Flash Backs. Depois de concluir seu trabalho na Antena 1, Cayon muda para o SBT.  

Em fevereiro de 2003, Cayon sai do SBT para montar sua própria Rádio Antena 1 FM Ilhabela. Mas infelizmente não teve muito tempo para desfruta-la, pois faleceu em 29 de agosto de 2007, vitima de uma diverticulite perfurada. Seu corpo foi enterrado no Cemitério Morumby em São Paulo. 

Fonte: HITS BRASIL - Sucessos "estrangeiros" Made in Brazil
                                       por Fernando Carneiro de Campos


Luiz Fernando Magliocca - Diretor artístico da Rádio Difusora

Profissional consagrado do rádio brasileiro em quase meio século de trabalho, Magliocca fez bem mais do que criar as musicas vinhetadas. Como redator, produtor, repórter, coordenador e diretor de quase uma dezena de emissoras, além de consultor e prestador de tantas outras, experimentou novos formatos de programação, entendeu antes do que muitos a importância da produção, deu chance a profissionais que se consagraram no meio, abriu caminho para o sucesso de vários artistas.  

O início: "Curiosamente, foi na TV. Eu estava na Escola de Comunicações Culturais (atual ECA), da USP, e fiz um trabalho que acabou sendo escolhido, num concurso, pela Fundação Padre Anchieta. Como prêmio, fui contratado pela TV Cultura como assistente de produção de um programa de aulas de francês, chamado Les Français Chez Vous." 

Como adorava rádio, vivia na discoteca da Rádio Cultura, que ficava na mesma sede da TV. Um dia, enquanto assistia alguns filmes-clipes na sala de projeção, reparei que o som agradava aos office-boys que passavam por lá. Então pensei: "por que não fazer um programa de música jovem na TV? A diretora não gostou da ideia, mas resolvi gravar um piloto. Com locução do Darcio Arruda, criei o "TV2 Pop Show". O programa trazia pequenos filmes de artistas cantando. Algum tempo depois, num sábado perceberam em cima da hora que o filme que estava sendo exibido era muito curto e sobraria muito espaço até o próximo programa. Seria preciso exibir algum "tapa-buraco". E alguém pensou no meu piloto. Colocaram no ar e vários telespectadores ligaram para a emissora elogiando o programa de estreia. Ai não teve jeito virou um especial mensal. O curioso é que logo na sequência a TV Tupi fez o mesmo, justamente com apresentação do Darcio Arruda, que havia me ajudado no piloto.  

Com o sucesso do "TV2 Pop Show", recebi uma ligação de um ex-diretor da Jovem Pan AM, Valter Guerreiro, que queria fazer um programa similar, mas para o rádio com a voz de Antonio Celso. A ideia era distribuir para rádio do interior e outros estados, com patrocínio vendido. Tocamos o projeto e o Antonio Celso teve a boa sacada. O programa iria para as rádio de todo o Brasil, mas não pra São Paulo. Então ele quis fazer o mesmo programa na Excelsior. E me convidou para produzir.

Depois de dois anos, resolvi sair da Excelsior, pois não estava dando conta de tanto trabalho. Eu ainda era produtor da TV Cultura e já dava aulas na ECA. Mas logo fui convidado pra ser diretor na Difusora, graças a uma indicação do Darcio Arruda. Sem nunca antes ter sido chefe de ninguém, passei a ter 22 funcionários. E depois de um tempo, acumulei também a direção da Rádio Tupi.

Na época tinha duas rádios musicais no AM em São Paulo, portando mães das FM atuais. A Rádio Difusora era baseada no esquema WABC de Nova York. Era muito americana, tinha muito som negro e tal. A Excelsior era baseada em um som mais europeu. Então ela aceitava tocar musicas inglesas, italianas francesas que era o diferencial que o Antonio Celso imprimia na rádio. E a Difusora só tocava isso se fosse sucesso estourado, ela não abria para esse tipo de música.

Na Difusora eu peguei a rádio pronta, era a rádio que eu gostava de ouvir e que fazia muito sucesso, e eu achei que não poderia botar muito a mão. Eu mantive as coisas que existiam no começo e comecei a pensar na seguinte maneira: "Se eu deixei uma rádio em uma boa posição, como é que eu faço pra fazer a outra (porque não que ele estivesse abaixo, mas elas competiam), como eu faço para a minha ficar totalmente acima? Esse é meu desafio, eu vim aqui para isso". Então eu comecei a pensar em coisas que o rádio não fazia. Eu me lembrei que eu tinha esse salão de música, e que já começava a ter disquinhos, porque ganhava um pacotinho da gravadora e ficava lá no final de semana, ouvindo. Eu vi que a Difusora tinha um trabalho de "cruz" como a gente chama: hora cheia, noticiário, 15 minutos, intervalo comercial, comercial, comercial. Todo mundo faz assim? Eu vou fazer o contrário. A que horas a emissora concorrente entra com o comercial? Aos 15, e termina ao 18. Meu comercial vai ser depois disso. Então, quando ela entrar com o comercial, o ouvinte vai mudar aqui pra minha e vai ouvir música, e vai ficar comigo. Isso eram ideais, não tinham sido implantadas ainda, estava fazendo os planos na minha cabeça. Eu pensei, "Eu preciso que o ouvinte saia de lá e encontre uma música que não vai parar, porque se eu parar aos 18, ele volta para a outra rádio". E aí a gente tem que brigar com o comercial, essas coisas. E o Cayon Gadia achava que era uma rádio que não podia ser falada, o comercial queria ganhar dinheiro e não sabiam como fazer pra ganhar. Então eles inventaram uma coisa muito legal: a rádio só tinha um anúncio, lá no comecinho das 4 músicas, (a gente pode dizer que era bem diferente de hoje, não tinha essa loucura de vida, as pessoas até ficavam 4 músicas, 15 minutos em uma rádio só, mesmo porque não tinha tanta opção). O Cayon criou junto com o comercial uns slogans, alguns famosíssimos, como o "Gente fina é outra coisa". O anunciante pagava mais caro para entrar em uma introdução de música em que não se falava outra coisa, só o slogan dele. Baseado nisso, eu pensei que tinha que inventar alguma outra coisa que seja diferente, que estoure. Criou-se na minha cabeça a necessidade de se inventar algo contrário, completamente contrário à Difusora.

Que foi Melhor de 3. Se eu tocava 4 músicas e não falava nada, eu passei a tocar 3 músicas, anunciava todas no começo e no final; depois da segunda eu falava "Toquei tal música, ainda vai tocar essa e essa", terminava a segunda eu falava "Toquei a primeira, a segunda, liga pra cá enquanto eu toco tal". Quando terminava a gente fazia uma computação rápida na mão, comercial de 30 segundos: "Coca-Cola oferece a melhor de três". A mais votada voltada em seguida. Aí nasceu a "Melhor de 3", que é o esquema mais copiado entre as minhas várias criações, com "n" nomes, "n" rótulos, e nunca ninguém me deu nenhum royaltie. Eu gosto de deixar isso claro porque saber copiar todos sabem, os donos de rádio, os "pais da pátria" inventam, inventam, inventam e estão sempre em cima das mesmas coisas... 

RA - A coisa da vinhetagem surgiu nessa época também? 
LFM - Não, a vinhetagem foi uma cópia do que se fazia nos EUA, onde havia produtoras especializadas em fazer transição. Então quando tinha o que eles chamam de fast slow transition, quando por exemplo, terminava uma música em bateria e a outra vai começar em um vocal lindo, vai dar um choque. Aí eles faziam uma viradinha rápida de 3, 5 segundos, com um canto suave, um coralzinho bonitinho pra aparecer o nome da música. Eu não posso garantir quem fez primeiro, mas acho que primeiro a Jam fez, depois várias empresas que eram de jinglistas se especializaram em fazer isso para as rádios. 

RA - Isso acontecia na Difusora? 
LFM - Tinha, tinha sim. Todo mundo sempre foi muito copiador no Brasil. Eu não vou dizer pra você que eu nunca copiei ninguém, até porque, como já disse, não sou o cara mais criativo do mundo, mas eu tenho ideais a partir de coisas que estão "rodando" no ar. Mas eu odeio copiar. Eu acho que, se você copiar e não puser o nome do autor, além de ladrão, você está infringindo uma coisa sua, é eticamente deselegante. Mas as pessoas copiavam. Vinha um demo dos EUA, e quem era esperto, como Carlão (que era muito mais esperto do que eu, porque ele estava no meio há muito tempo, enquanto eu fazia aulinha de francês, nem tinha muito malandragem de buscar coisa lá fora e tal), aproveitava. Tanto é que ele criou uma coisa de muito sucesso que foi a "Varig traz com exclusividade e a Rádio Difusora apresenta, sucessos de todo o mundo". Eles faziam pesquisas em revistas da época e colocavam, tal música é primeira colocada em tal lugar, etc. Às vezes não era primeiro lugar, mas tudo bem. Aí vinham as vinhetinhas: "Em ligação com a rádio tal", e entrava a vinheta, da WABC, por exemplo. E vinha de fora a "demo" com a vinhetinha. Eu não tinha acesso a isso, aliás, eu não conseguia nem verba com meus chefes para ir comprar material no exterior, nem disco. Fazia só o que dava com o nacional. Enfim, mas o que eu posso dizer que nasceu da minha cabeça e que alguns cantores até hoje xingam a minha mãe, inclusive a Rita Lee, que é uma grande amiga já fez isso por telefone - ela elogiou minha mãe. Ela disse que não sabia que tinha sido eu, senão teria a mandado castrar!(risos).


Na Difusora eu me senti seguro. Eu sempre tomei muito pé das situações. Lá, tinha uma coisa que não existia nas outras rádios: eu era responsável por pegar um disco, escutar uma faixa e tocar, independente do que estava acontecendo nos EUA, porque eu nem sempre tinha a pesquisa verdadeira. 

Trechos da entrevista com Luiz Fernando Magliocca

Fontes: Rádio Agencia RA - Transição & pesquisa: Cecilia Lara
             Postal Sucesso - Thomaz Rafael



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